w.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
paris, 20.11.2009
w.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
daniel johnston
Assunto: the devil and daniel johnston
De: contato@wagnerschwartz.com
Data: 13 de novembro de 2009 1h1min47s CET
Para: danilo.viana@gmx.de
Cco: mgabigoncalves@gmail.com
querido,
eu ouvia a música speeding motocycle
quando estava sozinho no meu quarto em uberlândia.
era uma gravação feita por yo la tengo,
tinha a voz de um menino na rádio
cantada pelo telefone
em alguma parte do mundo.
eu não sabia quem poderia ser daniel johnston.
eu não sabia que deus também tinha tirado seu sossego
e que o diabo tinha lhe dado um sobrenome.
obrigado por me ajudar a revisitar
um passado recente, 1996,
em que as coisas começaram a fazer sentido pra mim.
o filme foi difícil de ser assistido,
apesar de ver em daniel
a figura de um amigo,
de alguém que também
esteve na mesma gangorra.
true love will find you in the end.
w.
54% não entendem nada.
Nesta página à direita, abaixo de "Agência Multimídia".
http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
henri chopin
+++
para ler todo o texto
clicar aqui
domingo, 1 de novembro de 2009
luca di napoli
luca gosta de frases pequenas com sujeito, verbo e predicado. ele já passou por berlim, como eu, e teve experiências que se parecem com as minhas.
achávamos que as frases curtas nos ajudariam a viver dentro de um espaço organizado. mas nada nos restou além da chance de observar a paisagem natural: ela é mediúnica.
as pessoas gostam de estar sozinhas nos parques: as árvores protegem as pessoas dos encontros e os pequenos lagos podem ajudar a sonhar.
em berlim há muitos parques e lagos.
em berlim há muitas pessoas.
elas trazem consigo um ou dois livros,
como um instante de dúvida.
quando há uma festa, os assuntos são cheios de capítulos
-- é o momento em que as leituras se misturam.
até que chega o momento de voltar para a casa.
verão,
outono ou
primavera.
sábado, 24 de outubro de 2009
ray of light
toda critica à sociedade do espetáculo feita por guy debord em 1967 é um modelo para a reprodução alienante dos discursos das celebridades internacionais contemporâneas.elas aprendem as frases de liberdade e as aplicam num gesto, num movimento para conseguirem o passaporte que opera o vai-e-vem nos trópicos.
a esse circuito especulativo é oferecido uma enorme mesa com frutas, paisagens e espaço vital para aprimorar o troca-troca de cartão postal:
daí impera a continuação dos clichês na prática de um cinismo sedutor em que um tem domínio do conceito o outro sabe como operar uma banana.
assim,
a putaria continua.
inferno astral

se eu começar a escrever agora será sobre a subjetividade de uma forma mal criada. então é melhor começar a falar de coisas não abstratas com o jogo, as leis e la fontaine:
-- os turistas entram e saem do grande monumento.
-- o grande monumento é feito para os turistas que entram e saem.
-- quem observa os turistas e o grande monumento é a cigarra.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
krikor and the dead hillbilies
na realidade, o que mais importa agora não são as imagens, mas o barulho que seus objetos produzem. humanos ou não, eles têm seus padrões de ritmo ou agem na fantasmática dos seus símbolos. basta estar disposto a ouvi-los, basta mixá-los e eles se transformarão na trilha sonora de um filme noir ou em temas imprevistos para um bate-papo. (ps. a geração ipod é mesmo muito fraca.)
há muita coisa acontecendo da saída de minha casa à uma loja de discos para comprar o novo CD e EP "krikor & the dead hillbillies" (“krikor e os defuntos caipiras"). é neste mesmo percurso vivo, que a música de krikor viaja. cada faixa apresenta uma dimensão sonora dos eventos que operam a "land of truth" (“a terra da verdade”).
no ranking mundial da individualidade social, a crítica anda dizendo que essa terra “sounds real, tasty and different” (“soa real, saborosa e diferente”), apelando à sua própria vitimização... há ainda quem insista em utilizar adjetivos de produtos industrializados para falar de paisagens. o álbum tem algo do mais ordinário na sua expressão mais íntima. nada além de um cortejo de aventuras feito por quem exercita a própria forma de relacionar com seus elementos,
e, quando não consegue mais se divertir com eles, he breaks them all!

le haut talon à l’arrêt du bus, les dialogues interrompus, une femme qui éternue tandis que l'autre vend du maïs. un clochard qui crie par intermittence, "c'est la vie, qu’est-ce qu’il va se passer?". la porte d'entrée de la gare qui s'ouvre lors que la vieille dame laisse tomber son petit pot de l'ecstasy.
en fait, ce qui est plus importante maintenant ne sont pas les images, mais le bruit que produisent leurs objets. humains ou non, ils ont leurs habitudes de rythme ou ils s’actent dans la fantasmatique de ses symboles. il suffit d’être prêt à les écouter, à les mélanger et ils deviennent la bande sonore d’un film noir ou d’un sujet inattendu pour un chat. (ps. franchement, la génération ipod est trop faible).
il a beaucoup de chose que se passe de la sortie de chez moi jusqu’au magasin de disques pour acheter le nouvel album et le EP «krikor & the dead hillbillies». c'est dans cette même route vivante que la musique de krikor se déplace. chaque piste porte une dimension sonore des événements qui exploitent la «land of truth».
dans le ranking mondial de l'individualité sociale, la critique est révélatrice que cette terre «semble réelle, savoureuse et différente», appelant à leur propre victimisation... certains insistent encore sur l'utilisation d'adjectifs de produits industrialisés pour parler des paysages. le disque a quelque chose de plus ordinaire dans ses plus intimes formes d’expression. rien qu'un bon sentier d'aventures faites par ceux qui exercent leur manière de se rapporter à leurs éléments.
et lorsqu'il n’arrive plus à avoir du plaisir avec eux, he breaks them all!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
a passeio
nesse dia, 03 de setembro, quem ocupou o palco foi a banda “cérebro eletrônico”, com performatividade e execução musical impecáveis e “porcas borboletas", com sua forma proletária de fazer música – sim, não tem disfarce, é música vinda do interior com cara de quem se projetou ouvindo o som de muitos artistas malditos e tropicalistas, não por uma questão de oportunismo, mas como uma estratégia para analisar criticamente os fenômenos de uma geografia quase insólita.
os porcas entram em cena, são 02h30 da manhã. a casa já está um pouco mais vazia, alguns desistiram pelo correr da hora. mas, os que ficaram, ou estiveram por lá para conhecer a banda ou para comemorar o lançamento do seu segundo cd, a passeio. (que pode ser ouvido e adquirido sem pagar nada, clicando aqui).
esse cd chega com maturidade tanto na proposta de sua capa (feita por ricardim), como pelas escolhas dos temas nas canções. tudo é arriscado, nada tem uma linguagem segura, nada é fácil de se ouvir, nada está programado para entreter. a banda deixou seu lugar fixo de “superbacana” em “um carinho com os dentes” (retrô-70-óculos-escuros-e-figurinos-panfletagem) para entrar no “labirinto”:
-- daqui a saída pode parecer uma só, mas são múltiplas. pode-se até arriscar um percurso, mas não é bom desprezar uma encruzilhada.
a música tem peso, os músicos também. arrigo barnabé, leandra leal, dj tudo, simone sou, paulo barnabé, entre outros foram convidados para adicionar à banda, a criatividade e a seriedade de quem cria figuras dissonantes em meio à crise, seja ela de que ordem for: financeira, sexual, religiosa ou artística.
ainda que seja possível ver alguns apegos às figuras fashion da música como arnaldo antunes ou george harrison, os meninos retomam os mesmos caprichos tropicalistas para misturá-las à “costinha” ou à “chico bento”. vindos de um território pré-desconhecido como überland, fica no ar o deboche e a vitalidade de quem sabe jogar com inteligência as informações que não param por ali, mas que passam por ali.
pra quem ainda não conhece a banda, fica o convite. mas quem gosta de mpb clássica como djavan e outras coisas do gênero, melhor desistir. os porcas borboletas travam uma relação com o público e seus trejeitos e não com um simbolismo de beleza inventado.
e, todos se divertem,
cada um na sua.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
cinco __ five
cinco coisas importantes que gostaria de dividir com vocês. primeira, saiu o resultado do rumos dança 2009/2010 e meu projeto “piranha” foi aceito. em breve, vou criar uma extensão desse blog para detalhar por onde o processo começou e até aonde ele vai até o primeiro semestre do próximo ano. depois de tentativas mal sucedidas pelo projeto funarte klaus vianna, o itaú cultural decidiu, pela terceira vez, selecionar um projeto meu no programa:
http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2707&cd_materia=1075
segunda coisa boa é o lançamento do livro "Am Rand der Körper. Inventuren des Unabgeschlossenen im zeitgenössischen Tanz" (“nas bordas dos corpos. inventário da dança contemporânea inacabada”) da escritora e phd em dança, susanne foellmer. o livro será lançado em berlim com uma conversa com pirkko husemann, no dia 25 de agosto, às 18h30 no foyer do hau 1 (ver programação do tanz im august). susanne, entre o trabalho de outros performers internacionais, fala de minha pesquisa em “transobjeto”, das relações desse corpo com as questões do multiculturalismo.
a terceira é o mestrado, que parece que vai sair. meu projeto “dramaturgia da migração” foi aceito na universidade paris VIII pela professora isabelle launay. tudo indica que depois de 11 anos fora da universidade eu vou voltar a criar relações com o pensamento científico.
celebrando o ano da frança no brasil, rachid ouramdane e eu fomos convidados para fazer um trabalho em conjunto no “colaboratório” (projeto desenvolvido pelo panorama festival no rio de janeiro) no mês de setembro. parte do processo desse trabalho será mostrado no dia 21/set e, provavelmente, em 2010 no festival panorama.
com isso são quatro coisas.
a quinta, é que eu estou no brasil!
5 important things that i’d like to share with you. 1st one is that my solo dance project called “piranha” was accepted by “itaú cultural” – a contemporary arts’ institution in brazil. the institute has already chosen 3 works of mine for its program called “rumos itaú cultural dança”. (2001/2003/2009). next step is to create a blog for it’s own purpose, to show the goods that are coming soon. i might post videos, comments, pictures everything which is related with the project on it.
here you can see the program:
http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2707&cd_materia=1075
other important thing is the launching of the book "Am Rand der Körper. Inventuren des Unabgeschlossenen im zeitgenössischen Tanz" (“at the edge of the bodies. inventory of the uncompleted contemporary dance.”) from the writer and dance phd, susanne foellmer. there will be a public talk between pirkko husemann (whose book also appeared last month) and her on august, 25th, 18:30 in the frame work of tanz im august at hau 1 foyer (unfortunately only in german). susanne writes about my piece “transobject” and also about other international artists.
the third one is the master at the university paris VIII. my project “the dramaturgy of immigration” was accepted by the professor isabelle launay. after 11 years out of the university, i feel a good reason to come back to scientific thinking.
celebrating the year of france in brazil, rachid ouramdane and i, we’re going to work together in a new creation at “colaboratorio” (a project developed by panorama festival in rio de janeiro) in september. we’re going to show part of this process on the 21st and probably next year at the festival itself.
this make 4 things.
the 5th one is that i’m in brazil!
sábado, 8 de agosto de 2009
saudosismo
“no próprio momento em que o artista digere o objeto, ele é digerido pela sociedade que já encontrou um título e uma ocupação burocrática para lhe atribuir: ele será o engenheiro dos lazeres do futuro, atividade que em nada afeta o equilíbrio das estruturas sociais”. lygia clark (1969)
chegar ao aeroporto internacional de guarulhos, sinônimo de gripe suína. ver muita gente com máscara. uma fila de 1 hora para enfrentar, em um local fechado: se há algum vírus, ele está ali. o medo que a mídia promove pode ser visto no olhar de cada passageiro que acaba de chegar em são paulo, de algum lugar fora do brasil.
pego um taxi. o taxista me conta piadas, me faz rir durante quase 50 minutos de viagem. sim, estou no brasil. eu digo a ele que já tinha me esquecido do trânsito de sp, ele me responde: “eu também. tirei folga ontem!”. escutamos rádio, vejo acidentes na estrada. embora as tragédias locais estejam à vista, as coisas têm uma intimidade que não dá prá explicar.
chego à casa de gabi. abraços em dora, ravi, marcelo. assim começa o dia por aqui. vamos direto para o sesc consolação porque christine greiner acaba de produzir mais um de seus belos encontros. neste, intitulado “a revolta da carne”, ela cria um espaço para a exposição de acontecimentos e reflexões que tiveram início no ano de 1959, no japão e no brasil, inspirados respectivamente pelo movimento butô e o manifesto neoconcreto.
christine é uma intelectual da dança que não descansa. o excesso de trabalho, neste caso, pode ser visto como uma vontade quase performática de reconhecer nesses encontros, nos textos, nas traduções, uma oportunidade de fazer a ciência se transformar em produção viva.
o dia está cercado por conferências, vídeos, debates, perguntas de um público que encheu metade do teatro anchieta (metade já é um número significativo quando pensamos em arte contemporânea). toda a programação pode ser vista neste site:
http://www.sescsp.org.br/sesc/conferencias_new/subindex.cfm?referencia=6158¶mend=8
além da presença de grandes professores japoneses especialistas em butô, houve a presença de celso favaretto, que desdobrou a obra de helio oiticica e a de suely rolnik, que modificou o tema de sua apresentação no dia anterior à sua fala porque se sentiu em estado de revolta. ela usou a figura de lygia clark como uma estratégia para, mais uma vez, dar o recado de forma séria e sedutora sobre capital e cultura.
suely distende a formação do capitalismo cultural, do capitalismo cognitivo nas bordas do recalque histórico que cria, em abrangência geral, na periferia coletiva, a impressão massificadora das políticas de produção de existência e, também, fontes consideráveis do mimetismo deslumbrado das presenças estéticas das potências colonizadoras.
sustentar-se na inadequação é droga pesada pra qualquer um, mas essa função pode recriar os espaços que sustentam nossas fragilidades. a performatividade é transmissível, ela não é neutra. ela se diferencia do fato de narrar, explicar uma ação viva. quanto mais precisa a linguagem, mais presente ela se torna e nos diferencia das perversidades. é preciso ativar as experiências de um estado de coisas. o caráter político, transformador se ativa quando o objeto, o foco de experiências toca no alvo do recalque do conceitualismo global.
a fetichização pode ser confrontada quando estamos dispostos a forçar algumas narrativas cristalizadas a ponto de continuar o movimento de uma determinada história_, que também possui seu espaço natural, íntimo. só assim a gente tem chance de confrontar as celebridades do circuito internacional!
eu estou aqui, num dia de sol em são paulo, abraçando meus amigos. hoje, ainda um pouco cansado pela diferença de horas entre europa e brasil: 5 horas de diferença + 6 meses de esforço contra a castração, a felicidade.
terça-feira, 14 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
guy debord (1931-1994)
RE: um grito do ipiranga depois de acordar de um sonho às 15h55...
wagner, meu bem
nem fale.. hoje, eu não suporto ficar perto, por muito tempo, de quem não está me fazendo bem! e sabe, tem gente que me faz bem num minuto e muito mal no outro. e nem quero saber o por quê. acho que estou à flor da pele. acho que isso é um bom sinal. e vc, querido? o que fizeram contigo?
beijos
i.
+ + +
i.
q bom receber um e-mail seu.
pois é, essa coisa de não suportar ficar perto de quem não nos faz bem pode ser a chave pra suportar esse momento de crise:
-- mas tem muita porta espalhada pelo mundo e muita chave também.
eu acredito que esse seja o "mal de nossa civilização" (o excesso de portas), citando o freud. os conflitos são intrasubjetivos, interpessoais, intragrupais. ando vendo coisas aqui em paris que não me agradam mesmo, como a simples condição de ser cliente de uma academia de esportes em que recebemos uma toalha na portaria e que, as "bárbies" não conseguem administrá-la. ele(a)s a jogam, cheia de suor e anabolisante, em qualquer parte da sala por que existe um preto (geralmente mal pago), para recolhê-las ou no lugar em que elas deveriam estar depois de utilizadas, ou no chão. não importa.
em paris, se diz muito a frase: "ça existe". isso libera a subjetividade pra qualquer ato de crueldade, ou mal entendimento social.
claro, fora as histórias que já ouvi e experienciei de "sms" de amores, amantes ou possíveis chances de relacionamentos em acordo com as normas do período clássico (cito aqui filósofos, artistas da música, do teatro, ad infinitum), que conseguem terminar qualquer diálogo com uma mensagem num telefone celular. "it is over" (3 palavras em inglês) "c'est finit" (quase duas em francês). é o poder da síntese -- ótimo momento para as artes visuais! mas a sophie calle já tem os direitos autorais sobre esse assunto.
daí eu vou dar uma passeada na rua com meu amigo historiador e entramos no metrô: 4 lugares. 1 deles ocupado por uma japonesa idosa. um senhor negro vem em sua direção e senta-se ao seu lado. a mulher muda de lugar. deivid e eu conversamos sobre o evento com o cara que acaba de se sentir humilhado. clássico também, né?
a civilização não existe, nem na memórica coletiva, nem nos livros de história. a gente pagou por uma promessa.
abrir uma conta no banco na europa poderia ser menos problemático, mas topei com a impertinência de ser estrangeiro... enfim, marquei um encontro em outro banco (da mesma família, HSBC) e falei o que pensava sobre o tratamento local com estrangeiros. o povo ficou sem cor porque eu falei alto e claro, sem a polidez social que aqui se aprende na escola.
eu disse pro meu irmão: é foda ser brasileiro na europa.
meu irmão respondeu: é foda ser brasileiro no brasil também!
fora que, aqui, em qualquer lugar, somos considerados os sexualizados (mesmo que eu tenha visto coisas ultra-conceituais realizadas por franceses e a maioria dos alemães em berlim) graças, inclusive, ao sr. chico buarque (o macho mais amado no brasil), que presenteou a frança com um vídeo clipe-propaganda da tônica schweppes há uns vinte anos atrás.
depois dessa propaganda, ganhamos um passaporte de "bom cu". pra muitos isso é interessante, principalmente pros brasileiros que fazem musculação na mesma academia que eu (é como ganham a vida aqui), mas vai tentar falar de outra coisa... ah, toma tempo pra ser ouvido.
nos museus
nas galerias,
nos cinemas,
nas ruas,
nos cafés.
os objetos me deixam feliz.
beijos
sábado, 11 de julho de 2009
um grito do alto do ipiranga depois de acordar de um sonho às 15h55 de um dia de horror
como tem gente ruim neste mundo, meu deus!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
de danislau pra wagner
minha mãe sempre dizia q, qdo estivesse na fossa, procurasse amigo e contasse tudo. o amigo poderia me fazer ver a possibilidade de o problema não ser tão grave assim.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
montmartre
quinta-feira, 2 de julho de 2009
gay pride paris
poderia publicar todas as fotos já conhecidas pelo mundo: drags, caras musculosos, bichas, viados, enrustidos, transexuais e afins. mas acho que essa pode nos contar de um futuro próximo, que pode chegar. foram duas horas de caminhada para encontrá-la. i could publish here the already-known-gay-pride-pictures: drags, muscled man, faggots, transsexuals and friends, but i guess this one tell us about a nearly future, the one which can arrive soon. it took two hours walking to find her.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
pina
tenho pensando no estado fúnebre deste blogue. as últimas postagens não criam nenhuma metáfora do desaparecimento, mas estão em equilíbrio térmico. e eu? será que um fio de vida ainda suporta alguma vibração?
ontem fui chamado de "pédé" (viado) aqui em paris, em ménilmontant, mas não foi por um francês. o grito tinha sotaque e estava acompanhado de outros...
... brasileiros.
eles não sabem que homofobia aqui é tratada por policiais e, se alguém é acusado (mesmo sem testemunhas), permanece por três dias na cadeia sem direito à fiança. e, claro, o nome é registrado dificultando futuras entradas. poderia ter acabado com o passeio dessa classe que vem à paris repetir o esporte mais amado no brasil. mas não podia fazer nada, porque eu estava ligado à memória de pina bausch.
eu voltava de um dia de trabalho e iria me encontrar com meu amigo deivid gaia para acendermos umas velas, ouvirmos réquiens e assistirmos vídeos de pina juntamente com o escritor jean-philippe raîche.
claro, o encontro tomou outros rumos. jantamos e falamos um pouco daquilo que construímos enquanto afeto.
não seria isso falar de pina?
as pessoas que conheço e os que acompanham meu trabalho, sabem dessa importância mais que permanente do mistério que pina cria em minha relação com a arte quando a vejo dançar, falar – é de uma extrema solidão. e nos momentos em que pensei em criar uma relação com o mundo, pina estava presente também, na figura da principessa lherimia, de fellini. não porque eu precisasse de uma figura dramática para estar vivo, mas porque fellini deu chance a pina de ser sua própria pessoa.
não seria isso falar de alguns?
e eu ainda estou aqui, em ménilmontant. e ela está ali, nessa rede de imagens que posso acessar quando tenho desejo de escutá-la.
não seria isso falar do tempo?
...
presente para homofóbicos que não sabem ler e para as pessoas que não precisam de leitura
sexta-feira, 26 de junho de 2009
+ morte
enquanto um tanto de gente chora ao redor do mundo pela morte de michael jackson, na uol, no youtube, na cnn, em todas as rádios de paris, acabo de ler numa nota de rodapé (que só lê quem entra na página gay da uol, ou seja, praticamente gays e afins: poucos, né?), a morte de marcelo campos barros, na última parada gay em são paulo, numa forma de esporte que os homofóbicos no brasil adoram praticar: o chute.
amanhã tem paraday gay aqui em paris, tem fama de ser divertida, porque as questões do gênero se acalmaram um pouco mais por esses cantos. existe até o “pacte de solidarité civile” (p.a.c.s.). no brasil, o país do futebol, isso parece que ainda vai demorar. a bandeira gay ainda é colorida mas com o sol e o calor do trópico, tem ficado desbotada.
sim, esse é um post sem tesão.
o engraçado é que quando se fala em ser gay no brasil aqui na europa, muitos imaginam que esse deve ser um gesto muito simples, devido a nossa fácil disposição ao sorriso: mas eles não sabem que a gente aprendeu a sorrir debaixo de porrada, principalmente quem é negro-e-gay (neste caso, a tradição é antiga, veio junto com a colonização. preto e bicha em um mesmo corpo chega a ser risível pela falta de opção: vai ser vitimizado).
enfim, segue abaixo o link e também o texto encontrado na uol. leia e entre no site. manifeste seu voto no site contra homofobia:
https://www.naohomofobia.com.br/home/index.php
beijos e depois eu posto fotos daqui.
+ + + +
amigos e familiares de marcelo barros protestam nesta sexta-feira na vila madalena, em são paulo
http://gonline.uol.com.br/site/arquivos/estatico/gnews/gnews_noticia_22440.htm
os amigos e familiares do chefe de cozinha marcelo campos barros, de 35 anos – que morreu na noite de quarta-feira após ter sido espancado por pelo menos cinco homens após a parada do orgulho de são paulo – vão fazer um protesto nesta sexta-feira, 19 de junho, na vila madalena.
o ato será realizo às 18h em frente ao bar ponto x, na esquina da rua fradique coutinho com a aspicuelta, onde ele e os amigos costumavam se reunir. marcelo, que também morava na vila madalena com sua mãe, foi enterrado nesta sexta-feira, às 10h30, no cemitério do jaraguá.
ao g online, o responsável pelo caso,o delegado germano de souza, afirmou que a políca não chegou a suspeitos e ainda não pode afirmar se foi um crime motivado por racismo ou homofobia.acredita, no entanto, que testemunhas e a quebra do sigilo do celular de marcelo, único bem levado pelos agressores, podem ajudar no esclarecimento do caso.
as pessoas próximas ao marcelo também devem ir ao protesto organizado pela apoglbt (associação da parada do orgulho de são paulo) contra os atos de violência ocorridos após a parada. entre eles, a bomba caseira jogada que deixou 30 feridos. o protesto será realizado neste sábado, às 19h, na rua vieira de carvalho, no centro.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
krikor
concert of music, light, precisely well done in point ephémère in paris. j’adore krikor musique et le petit poisson nathalie gasdoue (his girlfriend!)
pour voir et écouter le travaille de krikor:
segunda-feira, 22 de junho de 2009
nota de luto
o que acontece quando a figura de um amigo, professor, escritor desaparece? o dia fica meio estranho, a memória trabalha, outros amigos chegam mais perto. é por aí. a vida continua? sim, mas depois de uma pausa, de uma interrupção triste. é triste porque não tem escolha, por que é impermanente, por que tem que ser assim. apesar de uma certa impotência, a memória afetiva continua e trabalha.
obrigado, roberto.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
meu amigo deivid
depois de assistir a dois ótimos espetáculos nessas últimas semanas (“uma peça de yves-noël genod” e “les déplacements du problèmes” da cia. grand magazin), ontem fui um dos que esteve na "école des hautes études en sciences sociales" para assistir a soutenance de master 2 do meu amigo deivid valério gaia.
o menino tem 23 anos. nascido em mirador, paraná, em uma cidade de aproximadamente 1500 habitantes e, com uma vida econômica e social não muito diferente de milhares de brasileiros que nascem e vivem no “interior”, deivid estuda e trabalha em paris ao lado dos maiores nomes de especialistas em história da antiguidade como jean andreau e jean-michel carrié. para quem nunca ouviu falar da école, essa é uma das mais impressionantes escolas do mundo criadas para estudantes que possuem um currículo raro (são necessárias 9 horas de trabalhos diários em local).
o nome “deivid” já nos diz muita coisa. ele faz parte daquela geração de brasileiros que para se aproximar do sonho pós-colonial (como maicon jakisson de oliveira, marili monrói; na época do seriado dallas, eram comuns nomes como: pâmela, suelen, jotaerre, biull (e como é difícil acertar o nome washington: tem uoston, woxingtone, oazinguiton)... ad infinitum), ganharam seu nome escrito numa terminologia que aproxima, em grafia, do desejo de se pertencer a um espaço ideal – entendido popularmente como mais rico, mais cultural, mais evoluído.
me parece que no brasil e, somente no brasil, acontecem essas coisas. por exemplo, é impossível se chamar wagner miranda schwartz na europa. aqui eu tenho 3 sobrenomes e miranda é um nome feminino. isso não é uma critica perversa à minha mãe nem à mãe do deivid, nem às outras mães brasileiras, mas uma elegia à nossa (se existe uma “nossa”), forma de sonhar. se baseada em desconhecimento político ou, de alguma forma, ingênua socialmente, essa é uma chance de se perpetuar o estado criativo de um local e ainda, produzir um certo ruído numa cultura de nomes e afetos já estruturados – como aqueles encontrados aqui na europa.
por mais dramático que isso possa parecer surge também, nessa adaptação coloquial, um mito – a transparência do “novo” – porque um nome como deivid vai ser lembrado e não vai passar desapercebido! principalmente se ele estiver em um lugar de evidência: além de sua relação genial com o espanhol, francês, italiano, latim, português, inglês, alemão e grego, o menino acaba de receber uma das maiores notas no mestrado (18 --- extremamente raro onde estuda) e já faz o seu doutorado em história e antropologia da antiguidade / história econômica e social do mundo antigo na mesma école.
poderíamos, num arquétipo do ideal, criar uma árvore genealógica para deivid que seria: ter nascido em um berço de ouro, mas ele nasceu apenas num “berço esplêndido”, no qual quem é filho, vai à luta.
ps.:
1. deivid estará acompanhando seu professor jean-michel carrié em 7 universidades no brasil nos próximos meses de julho e agosto (usp, unesp-franca, unicamp, ufpr, ufrj, ufes, ufop). será professor convidado da universidade federal de ouro preto e da universidade federal do recôncavo baiano e também irá ministrar um mini-curso em franca (unesp).
2. na última quinta feira, 11 de junho, haviam muitos amigos de deivid presentes em uma sala de aula muito pequena e jean-michel carrié levantou a hipótese de que se uma pessoa consegue escrever com qualidade e manter suas relações pessoais vivas, o trabalho final só pode ser uma extensão dessa virtude.
3. nos agradecimentos de sua dissertação, ele deixa clara a necessidade afetiva de estar perto de carmen miranda e clara nunes. ele se coloca agradecido à elas por estarem próximas durante os últimos 3 anos que ele vive em paris.
domingo, 7 de junho de 2009
RE:
de: yves-noel genod
enviada: domingo, 7 de junho de 2009 14:38:14
para: wagner schwartz
thank you very much! i'm very happy you could have seen this! you are so great in rachid ouramdane's piece!
hope we meet again!
tenderly too,
yves-noël
yes-noël GENOD
dear ives,
how to thank beauty?
it’s sunday afternoon. it’s quite rainy outside. i’m in paris, chez moi, writing this letter to you. but maybe, affectionately, i’m still seated in the places i saw the show yesterday in Théâtre National de Chaillot. i came home voiceless because i was touched by the subtle images you have created with such beautiful artists. it seemed though, i was not watching a show in its proper definition, but living part of my ordinary life in chaos and spontaneously.
i must be short in my words, because i want to extend the sensation of belonging to this kind of artistic action.
i embrace you tenderly,
wagner schwartz
(one of “des témoins ordinaries”)
terça-feira, 2 de junho de 2009
campanha por lei contra homofobia tem baixa adesão
são paulo - o grupo carioca arco-íris lançou a campanha não homofobia! para coletar 1 milhão de assinaturas, durante um ano, pela aprovação do projeto de lei que torna crime a discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (lgbt) no brasil. a parada gay do rio, realizada em 12 de outubro do ano passado em copacabana, com público de 1,5 milhão de pessoas, deu início ao movimento. passados sete meses, porém, apenas 42 mil assinaturas foram registradas no site da campanha em apoio ao plc 122/2006.
o texto do projeto voltará à etapa de emendas no senado. sem a negociação de um substitutivo, admitiu a senadora fátima cleide (pt-ro), relatora do projeto, ele não será aprovado. a meta de assinaturas apenas seria alcançada caso 2,7 mil pessoas acessassem o site por dia. de outubro para cá, a campanha virtual ganhou a adesão média diária de 185 assinaturas. para reverter esse quadro, o site precisa receber 7,2 mil assinaturas diariamente até 11 de outubro, quando será realizada a 14ª parada carioca.
o presidente da associação da parada lgbt de são paulo, alexandre santos, não considera o resultado negativo. "a campanha tem a sua importância porque o tema ganha visibilidade. o congresso, de algum modo, vê que existe mobilização. precisamos esquecer a ideia de frustração", afirma. neste ano, o militante afirma que o discurso político da parada paulistana, dia 14, será mais uma vez pela aprovação do projeto. ano passado, o evento atraiu 3,4 milhões à avenida paulista. as informações são do jornal o estado de s. paulo.
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drama:
1. avião cai. quase perdi dois amigos. as pessoas procuram a caixa preta.
2. homofobia não tem caixa preta.
domingo, 31 de maio de 2009
des témoins ordinaires
there are no letters in the mailbox, and there are no grapes upon the vine, and there are no chocolates in the boxes anymore, and there are no diamonds in the mine.
leonard cohen
quinta-feira, 28 de maio de 2009
des témoins ordinaires - estréia
a luz geral se ascende. o palco está vazio. não há música, entrevista ou pessoas. o espetáculo “des témois ordinaires” (“as testemunhas ordinárias”) chega ao fim. não há aplausos consecutivos, mas o constrangimento de um público que encheu o teatro de bonlieu, em annecy/frança.
lora segura minha mão. georgina, yogin e mille se olham de longe. estamos no corredor interno do palco, atrás da cena. não há um movimento entre nós que possa recuperar a ansiedade dessa pausa. estamos mudos e sujeitos à espera. 30 segundos e, nada. 1 minuto e, ainda, silêncio. yves ascende a luz da platéia e, como sem saber o que fazer, o público se manifesta com palmas confusas, pois também foi testemunha dos conflitos, do eco de uma violência que se estende pela falta de atenção histórica.
testemunhas de uma ditadura dão sua declaração e os artistas da dança, da música, da iluminação e do vídeo amplificam esse movimento político mórbido, sombrio durante 1h15 de um espetáculo, ou de um evento (?).
as pessoas que foram torturadas reforçam a necessidade de um olhar para a violência não mais como a quem assiste um filme industrial ou a um novo espetáculo de dança contemporânea – mas, com um gesto de seriedade que possa produzir transformações visíveis nos hábitos sociais e nos esquemas ideológicos de uma cultura global. segundo eles, alguns temas de ordem política ainda são ordinários pelo estado secreto de informações importantes que, por serem perigosas, no sentido de revelar o planejamento da dor, permanecem trancadas em arquivos ou simplesmente ignoradas por uma coletividade: o corpo do outro é assunto para poucos, em geral é melhor evitar o contato direto com biografias e deixar que se tornem fábulas ou ficção.
no entanto, o instante de silêncio rompeu uma certa tradição de expectador e nos atravessou humanamente. um instante de espera nos deu a dimensão política de um desejo vindo mais tarde. saímos em silêncio e emocionados.
e, claro, como há um cinismo generalizado nas relações populares, questões como essa irão parecer ainda óbvias, repetitivas ou vazias de sentido para alguns, por que na realidade, quem se esvazia é o sujeito e não a coisa.
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"c’est aux portes de la barbarie que nous entraîne le spectacle de rachid ouramdane : là où certains ont été livrés à la torture. face à cette violence, devant la négation de leur humanité, comment ces gens ont-ils réagi et comment se fabriquent-ils, aujourd’hui encore, leur propre mémoire de ce qui s’est passé ? oublier, nier, se souvenir, revivre, certes, mais selon quelles modalités, avec quels outils, par quels canaux de la remémoration ? pour répondre à ces questions, rachid ouramdane a rencontré une douzaine de personnes qui, toutes, ont été confrontées à cette violence qui les a poussées à s’exiler, à se réfugier, ailleurs, loin. venues du brésil, de tchétchénie, du rwanda, de palestine ou encore du chili, elles ont choisi d’aller au-delà de leur statut de victime pour témoigner. en complicité avec la vidéaste et documentariste jenny teng, rachid ouramdane les a filmées, les a écoutées, conscient qu’il les replongeait dans leurs épreuves. les récits et les images de ces « témoins ordinaires » constituent le premier matériau du spectacle dont s’emparent les corps des cinq interprètes que l’artiste convoque sur scène. faire le portrait d’individus ayant connu la torture, c’est partir en quête d’une forme impossible. quels gestes, quels sons, quelles images, quelles positions trouver pour raconter et incarner ce qui, de l’expérience et du souvenir de la violence, s’est peu à peu sédimenté ? des formes forcément délicates, éclatées, fugaces, comme si les mouvements et les images avaient du mal à se concrétiser sous l’impact de la violence qui revient du passé. effets de brouillard, de disparition et de réapparition, de métamorphose, d’étrangeté envahissent ainsi le plateau pour rendre compte de ces témoignages et en transmettre l’atroce banalité." ADB
(http://www.festival-avignon.com/index.php?r=29&pid=123687874148)
terça-feira, 19 de maio de 2009
a woman a man walked by em português e foreign english
at 17:48:41 i got a message in my mobile phone. an invitation of p.j. harvey’s drummer, jean-marc butty. he was in the rehearsal of “des témoins ordinaires” and he remembered when i danced “i can get no satisfaction” (with the interpretation of p.j. harvey and björk) in “cover”. rachid and jean-marc know each other and it has helped us to meet.
we talked briefly about our work, and it seems that we enjoy it.
to arrive at “bataclan”, to see the stage and imagine what would happen in the following 70 minutes was too less to tell the pleasure i had when i saw pj, john parish and jean-marc. a show that could end in its convention, mainly for the low level production of light-design and stage scenario, invited us to initiate a trip to the last album “a woman a man walked by”.
a word of gratitude was a measure in-between the songs, a smile and a strong body argument of the 3 expanded the show in its sexy moments of sadness and affection. the lyrics full of fear, physically guided by p.j, brought to me (and maybe to some others) a large smile of ecstasy – “love” or “jesus christ” are constant figures in her songs that permeate the terror in post-modern relations.
at the end, i had a wish of ‘bring jean-marc my love’ for the opportunity of watching his work together with p.j. and j.p. particularly, his performance had confronted what can be easily seen on the universal stages. to be an author is a rare condition.
às 17:48:41 recebo uma mensagem em meu telefone. um convite do baterista de pj harvey, jean-marc butty. ele esteve no ensaio geral de “des témoins ordinaires” e lembrou-se quando dancei “i can get no satisfaction” (com interpretação de pj harvey and björk) em “cover”. rachid e jean-marc se conhecem e foi através dele que se deu esse encontro.
conversamos um pouco sobre nossos trabalhos – acho que gostamos do que fazemos.
chegar ao “bataclan”, ver o palco e imaginar o que iria acontecer em 70 minutos foi pouco para contar do prazer que tive ao ver pj, john parish e jean-marc. um show que poderia terminar em sua convenção popular, inclusive pelo baixo nível de produção de luz e cenário, nos convidou para iniciar uma viagem ao último disco “a woman a man walked by”.
entre uma música e outra, uma palavra de agradecimento, um sorriso, e uma forte argumentação do corpo que se expande em momentos extremamente sexys mas, também, em tristeza e afeto. as músicas de medo traziam um sorriso largo e de ansiedade palpável, fisicamente representados por p.j. – o ‘amor’ ou ‘jesus cristo’ são figuras constantes em suas músicas que alcançam o terror dos encontros pós-modernos.
no mais, fica uma vontade de agradecer um pouco mais a jean-marc pela oportunidade inclusive, de vê-lo em cena novamente junto a p.j. e j.p, sua performance confronta o que se costuma ver nos palcos universais. ser autor, é raro.
domingo, 17 de maio de 2009
a song lyric for polly jean harvey or julien jean-baptiste
it’s not about me
but it’s the way
he looked at it
and bent it
hardly arrogant
– it’s alive, he said.
and then he jerks off.
domingo, 26 de abril de 2009
the swimmer
– todos nós vamos morrer, shirley.
– mas isso não faz muito sentido, huh ?
– às vezes, sim.
– às vezes, às 3 horas da manhã.
terça-feira, 21 de abril de 2009
i get along without you very well (except sometimes)
to vinzenz g.
yes, the history starts by an affirmation – even that latter it finds a place to be forgotten. today i found out that i love a man. he has a child and, through the god eyes, this is impossible. god, in this case, is not an absent phantom, but the presence of the other. the presence is a horrible thing.
after i came back home and smoked a cigarette with a friend, it was possible to understand that god can still exist in the idea of unity – the universal wish. things get already born with a distinction that cannot be stolen by a dialogue, a cigarette or a hug.
i found out that a man is only free when he gets laid with whomever he wants, with no permission. this is the resistance of an attraction, this is the necessity of do not being bothered.
the man i love exists, but his presence is questionable.
the cigarette, the child are present beings, goddesses. there are some who prays for their existence, because if they’d leave, the world would turn to be accidental.
but i’ve made the urgency of nature abstract when what i’ve been contemplating is just here, sleeps by my side and doesn’t attends for a penetration.
today, i thought i loved a man.
sim, a história começa por uma afirmação – mesmo que depois ela encontre um lugar para ser esquecida. hoje descobri que amo um homem. ele tem uma criança e, aos olhos de deus, isso é impossível. deus, neste caso, não é uma matéria impalpável, mas a presença do outro. a presença é uma coisa terrível.
depois de voltar para a casa e fumar um cigarro com um amigo, foi possível entender que esse deus pode ainda existir em uma ideia de unidade – o desejo universal. as coisas já nascem com uma nobreza que não pode ser furtada em um diálogo, em um cigarro ou em um abraço.
descobri que um homem é livre quando se deita com quem quiser, sem permissão. é a resistência de um encanto, é a necessidade de não ser incomodado.
o homem a quem eu amo existe, embora não prescinda de uma presença.
o cigarro e a criança são seres presentes, deuses. há alguns que ainda rezam pela sua existência, por que se acaso fossem, o mundo se tornaria acidental.
mas eu abstraio a urgência da natureza quando o que contemplo está logo aqui, dorme ao meu lado e não aguarda pela penetração.
hoje, pensei que amava um homem.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
xenophobia
eu aprendi com um amigo historiador que nada permanece se não for escrito. então, resolvi deixar um pouco mais claro o tema de imigrantes na alemanha (ou em qualquer lugar do mundo). esse evento aconteceu ontem comigo. e ainda acredito, que xenofobia não tem jeito de se tratar, só de se deixar claro.
to:
sven bretschneider
arbeitsgebiet integration und migration
direktion 3 – invalidenstraße 57, 10557 berlin
dear mr. bretschneider,
my name is wagner schwartz, brazilian, 36 years-old, choreographer. i’m going to write this letter in english, because i was not really invited to learn german for the time i was living in berlin. all the condition that came to me was that, to survive in this country i should follow precisely its orders and the integration process meant basically to be under its rules in 2 years. in this case, off course, my lebenspartnerschaft ("marriage") was also not succeeded, because affectively there was no difference on the treatments in-between integration process and love.
after being precisely sent off of the small apartment i used to live with my german partner, thomas weppel (a personal friend), gently helped me to understand that around german community there’s a place for friendship and lack of violence. and he showed me that to be under civilization is also to take care of fellows – it means, he reacted against his own culture.
i’m very thankful as well to dr. hartmut-emanuel kayser (my lawyer) and the brazilian embassy in berlin that showed with competence and why not to say, friendship, that the must difficult problems can be resolved with sense and sensibility.
why am i writing this letter, then? it’s because i’ve just got the news that (after almost 1 year i’m out of germany) 2 policeman were in the house of thomas weppel searching for me at 9 o’clock in the morning (a bit too early for a visit... and too late as well...). the thing is: i’m “divorced”, i’m not leaving there anymore and i have nothing to prove to the german police after my separation. i’m completely clean with my duties and at this moment i work in france with a working visa – and probably i will stay in this country which is, definitely, treating me much better.
i would like to ask you to save my personal friend thomas from your visits, because he’s not responsible for me, and i do not understand, somehow, why i could not visit him or be in germany as a visitor after my divorce? is there any word for that?
i thank you very much to help me to forget the traumatic two years i lived in this country. and no worries for you, because around many, i’m one less: it might not happen again.
all the best,
w.
terça-feira, 7 de abril de 2009
zeitgeist films
(clique aqui para maiores informações)
ontem eu assisti ao documentário žižek! e a cada dia eu me aproximo um pouco mais desse monstro. é mais uma pesquisa sobre o amor. é uma questão rara de simplicidade – por que a idéia é deixar de pertencer ao grupo ativo de uma realidade paralela, em que as idéias sobre um cinismo consagrado direcionam as relações e a articulação de uma determinada cultura. “there’s no normal culture. culture as such, has to be interpreted.” (“não existe uma cultura normal (talvez “normativa"), a cultura por si mesma, tem que ser interpretada”).
e, como eu estou aprendendo a amar esse homem e sua teoria, e para ele isso só tem significado enquanto potência para transformar a história, eu deixo sua figura descansar nas telas de tv, nas mesas de debate, nos cinemas, ou em uma memória afetiva – que guarda desde já, certa distância.
e aqui, logo abaixo, deixo algumas cotações, mas infelizmente, em inglês, por que estou com preguiça de traduzir.
até já.
a cosmic catastrophe: things exists by mistake. assume the mistake and go untill the end. the name of this is love.
love is a precisely unbalance.
or i hate the world or i am indifferent towards it.
capitalism can survive only by incessantly revolutionizing its own material conditions. the global capitalism is here to stay and we accept that. but we must recreate utopia. we need to force ourselves to create another reality… i pretend to play that i am a human.
i think we should have enough of them making us guilty. making us pay the dues of previous generations. we had enough of being the material for someone else’s dreams whether those of partisans or their victims. we had enough of the vampires that live off of us making us guilty that are making us pay someone else’s dues. and today we need, if i can end this poetically only one stake, a wooden stake together with garlic to kill and destroy all sorts of vampires. liberal democratic party.
the fundamental level of ideology, however is not an illusion masking the real state of things but that of an (unconscious) fantasy structuring our social reality itself.
a strategy to seduce people: to emphasize and to stress some ideological gestures.
i believe in clear statements and so on.
i like philosophy as an unanimous job: his style is fake.
philosophy is created to redefine problems.
segunda-feira, 30 de março de 2009
maurício leonard
grenoble
começo a falar de amor pelo trabalho de ana reis. um amor comportamental, violento, religioso – tema indicativo de uma certa mundialidade. consigo encontrá-lo no dromedário, e em seguida, na figura de meu pai.
ontem falamos de amor nos ensaios de "des témoins ordinaires" e, também, ao telefone, com iara bevilaqua. a menina se torna mais uma estrangeira na frança, em lyon. longe de seu lugar de procedência, ela tenta encontrar nos poucos cds, uma música que possa abraçar a sua viagem. o medo não é de poder ser perder, mas de não querer encontrar um caminho de volta.
não há muitos abraços por aqui. mas um solo prometido, fechado em uma linguagem segura. às vezes penso que também gosto do exótico – daquele sentimento que nos dá aversão quando um gringo fala do brasil.
se lá eu vejo frutas, aqui eu vejo o que foi escrito nos livros de história.
é um estudo vivo sobre a morte.
sábado, 28 de março de 2009
seu ruy
depois de um ano nada muda.
depois de um ano, continuo sem nome.
perder o herói, é como de um dia para o outro deixar de ser wagner para ser
pedro – um proletário qualquer.
e, sendo pedro, as manhãs são inúteis.
é como abraçar as montanhas
é como ouvir uma canção de amor
e nada com aquele traço,
sem mais um nome próprio.
me parece, as biografias não podem existir
elas precisam ser escritas
pra não se perderem
pra não ganharem um nome qualquer.
então, de um lugar onde nunca estive antes,
ouço uma música que sempre ouvi e
escondo o rapaz
no colo de quem me deu um sobrenome.
mas, sem nome algum, eu ainda existo
pra que ele não desista de mim.
os dromedários
hoje acordei pensando nos dromedários, nesses animais que nunca conheci. fui buscar informações e o que encontrei foi uma biografia generosa.
o dromedário ou camelo árabe distingue-se do camelo bactriano, nativo da ásia central, pela presença de uma bossa (corcova) em vez de duas. a bossa do dromedário não é composta de água (ao contrário da lenda popular), mas sim de gordura acumulada pelo animal em períodos de alimentação abundante, que lhe permite sobreviver em condições de escassez. outras adaptações à vida no deserto incluem: uma pelagem esparsa e suave que permite refrigeração; patas de base larga, com uma área que impede que se enterrem na areia; pestanas longas que protegem os olhos do animal durante tempestades de areia. o pelo do dromedário pode ser branco-sujo, bege-claro ou castanho-escuro.
invejei sua figura e espontaneidade genealógica. nietzsche não pode dizer muitas coisas boas sobre sua imagem diante a uma metáfora social. mas, depois dos estudos, vejo o dromedário como um animal incrível: ele consegue resistir ao deserto naturalmente e, ainda, guarda um sorriso particular de quem tem certa liberdade para fazer análises e cuspir.
hoje descobri que eu amo os dromedários.
sábado, 21 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
trajeto com beterrabas
trajeto com beterrabas é um dos primeiros momentos em que a performer ana reis expõe seu pensamento crítico sobre o corpo feminino e sacralidade. o espetáculo foi apresentado em frente à igreja do divino espírito santo do cerrado, criada pela arquiteta lina bo bardi ana é mestranda em artes visuais e coloca em processo de descobrimento as variações conceituais que a action painting e os estudos sobre o feminismo produzem em uma das esferas do desejo. a performance chega impregnada de um tema barroco, pela procura de comoção do espectador, num sentido em que a igreja se converte numa espécie de espaço cênico, num teatro sacrum onde são encenados seus dramas. tudo se passa em uberlândia/mg, em um espaço que aporta a idéia do sagrado na imagem do cerrado, enquanto um volume de terra que permite a contemplação e a idéia de ausência, cercado de um ambiente confuso entre o consumismo e a capitalização do afeto, por si só, contemporâneo. numa ordem em que ambas ações estão em conflito esse movimento extrai cor, paganismo e interfere na cultura local. qual seria a atitude necessária para mundializar essa ação?
sábado, 14 de março de 2009
post hoc ergo propter hoc 1.
a.t. era de israel. encontrou l.b., um operário brasileiro, em um chat gay. depois de três semanas de diálogos, a.t. vai até a casa de l.b. para tomar um café. como a.t. era um barítono profundo, l.b. mantia sua cabeça encostada em seu peito cabeludo enquanto conversavam para sentir a ressonância de sua voz. l.b. mantinha sua bunda para o ar para satisfazer a cara de comedor de a.t.
eles não treparam, mas fizeram um troca-troca. a.t. gozou duas vezes, l.b. nenhuma, mas ficou feliz porque nunca havia visto uma jorrada de porra tão grave. sentiu-se orgulhoso de sua competência erótica.
ambos dormiram juntos até às 4h30 da manhã. a.t. acordou, foi embora e esqueceu sua carteira.
no final da tarde desse mesmo dia, a.t. enviou um sms para l.b. para perguntar se sua carteira estava com ele. l.b. estava trabalhando e respondeu, “se você a deixou em minha casa, provavelmente vai estar lá. estarei de volta em uma hora.”
a.t. voltou à casa de l.b. no final da tarde. tomou metade de uma xícara de chá. (não conseguia suportar aquele ambiente cheio de dúvidas).
l.b. disse, “aqui está sua carteira, ela estava debaixo da cama. você a deixou cair”. a.t. pegou a carteira e, tentando ser simpático, colocou-a dentro da bolsa sem conferir. levantou-se rápido da cadeira e disse: “eu agradeço desde já por não precisar conferir se o dinheiro ainda está aqui”.
[1] falácia lógica que significa: depois disto, logo causado por isto.
quinta-feira, 12 de março de 2009
carta a dindi
letter 1 - proposal
living in paris_ again. i've just arrived.
this environment sounds familiar to me.
--- i speak french, but i must practice it.
wish:
i want to meet a nice man to create a healthy environment with. i know the theories about meetings in internet, specially described by zygmunt bauman in: consuming life and, somehow, i (we?) had experienced this already.
i'm feeling like a classic man.
i know it can sound a bit old, but the contemporary relations don't turn me on at all – i have a sensitive skin that cannot handle violence and lack of humor.
so, if you feel like we can look into our eyes and be creative -- this means, spending time in translation and not in consuming practices -- please, send me a line.
from a small island,
dindi
letter 2 - response
bonjour
ton "île" n'est pas si petite! sauf si en ce moment tu as besoin de bien comprendre les "choses de la vie" comme disait le cinéaste claude sautet. des fois en effet une retraite salutaire apporte beaucoup à la personnalité,,,
il y a des périodes de vie avec des moments où l'on observe,,,
il y a aussi des moments de silence seul et de présence "à deux",,, et aussi de parfois de l'action! un mouvement nécessaire puisque naturellement voulu,,,
il y a aussi comme ce soir des moments ou j'ai envie de dire ma dissidence d'esprit, malgré le risque que je prends d'écrire à un inconnu, mais je crois que je peux le faire; et toi tu devrais comprendre mes quelques mots. je parle de ce "va et vient" entre le "besoin" de s'adapter au monde et cet autre besoin qui est de "garder des valeurs" et des pensées que l'on espèrent indépendantes et bien à soi! nos pensées résistent aux "modes" et aux "obligations de notre époque" dans un va et vient permanent. es-ce cela que j'ai lu dans tes quelques lignes?
tu as, par les performances, le devoir de ressentir puis de le "montrer" et,,, ce que tu donnes c'est aussi ce que tu as compris,,, non pas une "réponse" ou une "vérité" immuable, mais ce que tu as compris de la "question" et de son cheminement en toi . c'est cette conscience intime de la "question" et du questionnement humaniste qui va t'apporter l'énergie vitale,,, le mouvement!
j'ai aimé ta façon d'évoquer ta personnalité ,,, j'espère que tu comprendras ces quelques lignes.
amicalement à toi,
et au plaisir de te lire,
tom
terça-feira, 3 de março de 2009
kiss
pensei em escrever algo sobre essa performance em que fiz parte, em 2008, no projeto "intransit" desenvolvido na haus der kulturen der welt em berlim. mas, resolvi postar o bilhete que escrevi para he chengyao e deixar o beijo tomar o lugar do convencimento intelectual.
发件人: wagner schwartz
主题: kiss - picture
收件人: chengyaohe@yahoo.com.cn
日期: 2009,224,周二,7:13上午
dear he chengyao,
in 2008 i was one of the "participants" who had a
part in your performance "kiss". i was very
delighted with the simple action of that gesture.
many thanks,
w.
+++
Dear wagner schwartz,
I am very glad to get e-mail from you and thanks
for you partake in my performance "Kiss".
I enjoy "Kiss" last year in Berlin.
Thank you that let me enjoy your works from website.
Best wishes,
Chengyao
sábado, 28 de fevereiro de 2009
mamãe, coragem
quem não conhece torquato e o tamanho da boca da gal vestida de pomba gira, não sabe nada. viva a mulher com cara de mal dormida.
obrigado, lucas laender, por me lembrar disso
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
YouTube | Broadcast Yourself™
The following video(s) from your account have been disabled for violation of the YouTube Community Guidelines:
la bête - (wcurupira)
Your account has received one Community Guidelines warning strike, which will expire in six months. Additional violations may result in the temporary disabling of your ability to post content to YouTube and/or the termination of your account.
For your reference, a copy of this message has also been emailed to the address associated with this account.
Sincerely,
The YouTube Team
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
"things exist by mistake". zizek
Estou em Berlim, longe do local onde passei a minha infância e juventude. Mas o que ainda me resta de um lugar quando o penso à distância? Talvez a aparente fortuna de ser um estrangeiro ou o surgimento de um novo hábito que pretende expandir a idéia geral de mundo.
O estrangeiro é aquele que põe o presente em estado de risco. Um pequeno deslocamento pode sugerir uma disponibilidade criativa no corpo daquele que deixa o seu lugar, para traduzir ou falsear uma paisagem vista espontaneamente – "acostumar"-se ou "acomodar"-se a uma cultura é predicado mórbido em qualquer instância.
Enxergo-me pensando na idéia de estrangeiro e, como não existe nada que não possa ser questionado, esse estado só pode existir no próprio corpo. O processo criativo é necessário à situação de "ser” estrangeiro. Esse é um desempenho natural, estimulado pela mesma máquina (corpo): Faço uma seleção de paisagens as quais quero me tornar íntimo; meu corpo é quem me indica o que escolher, por que se os sentidos estão sempre abertos depois de um longo exercício de percepção, o corpo escuta e incita dentro de uma cultura. As paisagens que vejo só podem se politizar através da minha reação. Passo a acreditar que essa pode ser uma chance de desdobrar a ordem de uma violência normatizada – em que as coisas têm sentido único.
Daqui, há felicidade e até um certo tipo de humor em ver-se brincando ou se encontrando em um espaço muitas vezes inóspito, como um monte de neve branca na rua, mas se esse é o lugar em que estou, ora, essa é a minha casa.
+ + +
Bodenlos: Esta é uma autobiografia singular, na qual o autor, Vilém Flusser, filósofo tcheco que viveu mais de 30 anos no Brasil, pouco fala de sua história pessoal; prefere dedicar-se aos diálogos que manteve com personalidades que o marcaram. São onze pessoas, sete brasileiros natos e quatro imigrantes. Entre eles, nomes como Haroldo de Campos, Guimarães Rosa, Milton Vargas, Vicente Ferreira da Silva e Miguel Reale. Flusser aborda ainda temas como sua tara por dar aulas - que ele via como provocar inquietação nos receptores-; um projeto de teoria da comunicação debatido com Chomsky e Quine; a relação estreita entre pátria e hábito; e a expressão 'Bodenlos', sem fundamento, que funda sua filosofia.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
traduzindo tom zé
: homem concreto
quando o papo é conceito, geralmente sua extensão significa: pouco interesse no brasil. o engenho de signos a quem me refiro aqui é tom zé, “o último herói do pop underground, um artista de 62 anos” – segundo a rolling stone. não sei se tom zé é pop, por que se fosse, seria bem vindo no grande mercado.
tom zé lida com uma constelação de símbolos que têm extrema simplicidade, como o som de um martelo que bate em um capacete operário. sim, a música de tom zé é para operários, no brasil eles fingem não existir. aqui o simbólico do proletário (também) é oferecido como neoliberal: belo às avessas. os ouvintes estão com o imaginário impregnado de música fabricada no “photoshop” (arremedos grotescos), poesia de blogue e “auto-tune” (mas não se fabrica música no photoshop e, sim, imagens... ah, deixa pra lá).
no entanto, entre essa massa esquizofrênica que se permite deixar enuveado um artista que pode estar entre os maiores profissionais da música internacional, surge, numa ilha, alguns que buscam por momentos de pregnância em uma cultura popularizada pelos estilos musicais e imagens estadosunidenses-emo-ingleses.
a referência mais próxima de tom zé é seu lugar. nada passa por sua música que não coincida com uma formação intelectual clara e precisa das histórias que se desdobraram em sua cidade natal e, em sua cidade, simultaneamente, criada. (é difícil enxergar aquilo que está do outro lado da rua nas músicas, melhor procurar a projeção, as simbologias românticas, por isso o reforço popular de insatisfação estética).
uma coisa que andei notando (talvez tardiamente), indo aos cinemas da augusta/sp é que, os filmes norte americanos não trazem o nome do diretor em seus cartazes, mas os filmes europeus, brasileiros e os fora do circuito shopping center, geralmente o trazem registrados como uma forma de manter inteligível a idéia de que um filme imprescinde de autoria – ele não é feito apenas por atores famosos (sublimações do falecimento do desejo), mas pelo trabalho efetivo de um leitor crítico do vocabulário do mundo.
neste caso, décio matos jr. enxergou nesse engenho tom zé, um tema glocal, “fabricando tom zé”. no filme, a presença de um sempre estrangeiro está à experiência. o filme revela o signo. aportar música é estar sempre em risco, em um processo de tradução exaustiva. a sensibilidade e a invenção são figuras explícitas da vida que alcança a letra, a forma, o humor de tom zé. a banda que o acompanha é assim: feita por gente. ele é assim: gente. as técnicas contemporâneas de auxílio ao que realmente “não existe” são dispensáveis em sua forma de abrigar e produzir arte. e o filme, feito pelo jovem e criterioso décio jr. não poderia ser diferente, por que décio também é gente.
as cenas deixam à vista de onde vem essa máquina que “explica para confundir”. não é do “interior do brasil” – como afirma a rolling stone, mas do interior solitário de uma presença no brasil. tom zé cria rituais de tempo e, décio, em sua sensibilidade o recria nesta produção fílmica. ele expõe o signo sem alegorias. tom zé é duro, por que a história é crua. a crise do artista, do músico, do escritor, pode ser palpável se alguns se deixarem experienciá-la sem conotações morais. os costumes, o conjunto de regras encontrados no hábitos sociais são fracos perto de uma potência que permanece fisicamente contemporânea – mesmo que tenha sido subordinada à exaustão subjetiva pelas “parcerias”, ora possíveis.
para se ter uma idéia desse campo de afetividades e, para se entender de (qualquer) música é necessário, além de conhecer a discografia de tom zé, revisitá-lo neste filme feito pela tradução íntima de décio matos jr. ele se deslocou de seu lugar para reconhecer o outro em sua situação de estrangeiro – isso é condição, sem o qual não pode ser, para a ‘transcriação’.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
jacques aumont: "moderno?"
há 25 anos, a arte contemporânea já não é moderna, ela se tornou apenas "contemporânea". não é um grande progresso. "arte moderna" acabou significando que se tinha consciência de ter de parecer com alguma coisa, com uma idéia da arte, mesmo que ela fosse vaga e geral. "contemporâneo" não contém exigência alguma dessa espécie, e seu sentido é movediço, flutuante, indeciso. a única verdadeira definição de "arte contemporânea" é institucional: é o que se expõe nas galerias conhecidas ou nas manifestações de balanço, como em paris, em 2006, na exposição "a força da arte". mas seria bem difícil, até mesmo impossível, prever o que nos será oferecido nas galerias ou nessas exposições; não podemos sequer esperar sermos, necessariamente, surpreendidos. e se penso em "música contemporânea", é ainda pior; difícil pensar algo abrangente sobre ela se não sou especialista, a não ser o fato de que ela não é "clássica" e, geralmente, inaudível para o vulgum pecus. mesma coisa para a "dança contemporânea". os campos da arte - que se comunicam cada vez mais, em um dos ideais pós-modernos ainda atuais, o da "transmedialidade" - tornam-se cada vez mais decepcionantes para o amador, pois, com o fim da modernidade ele foi privado de pontos de referência às vezes arbitrários, mas cômodos. a paisagem da arte mudou e, nos museus de "arte contemporânea", vemos coisas esquisitas serem agora oferecidas - aliás, no mais das vezes, coisas engraçadas -, que já não têm muito em comum com o que estávamos acostumados a aceitar como obras. não muita feitura, em todo caso; tudo vira "conceito", no sentido da arte conceitual e no sentido dos publicitários. aliás, arte e publicidade estão, doravante, tão bem casadas que não param de fazer filhos.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
yves klein
em pindorama, no século XXI, disseram que M.C. era um artista conceitual. cansado, ele disse que seria impossível existir um homem em forma de idéia. A idéia de homem é o desespero da pós-modernidade, que busca no conceito uma fisicalidade.
a arte em que M.C. aporta, se mostra no corpo como uma coleção de conceitos. eles estão por aí, por ali, por aqui – também nos homens. mas o conceito se encontra, ele não é. a possibilidade de ser depende de um contexto, da percepção, da noção de encontrar na linguagem do mundo a indicação solitária para um pensamento.
e, no mais possível, encontrar saídas para afirmações atemporais:
a mesa só existe, por que o bar precisa encher.
domingo, 25 de janeiro de 2009
uéb
estou mexendo em minha página na web. retirando coisas, postando outras. faxina geral se diz, em inglês, spring cleaning. sempre fiquei imaginando a casa limpa e cheia de flores na primavera. esse nome deve ter surgido pelo cheiro, ou pela idéia de diferença entre estações.
no brasil a diferença não é tão evidente, é sutil. a temperatura se modifica, mas a paisagem geral é sempre cheia de vida.
_ filho da puta. disse T.M.
_ olhe a flor de lótus, respondeu.
desse jeito,
dobra e desdobra-se um tempo.
penso que a arte seja assim, ainda um projeto de tempo. ainda inalcançada, por ser uma idéia. vibra sempre como se quisesse deixar o conceito, mas pode retornar e dobrar-se como as estações, como a sujeira, como uma criatura.
claro, tudo com um pouco de humor, por que se as coisas mais belas deixam de ser evidentes por estarem tão próximas, é preciso sorrir do tempo, do projeto, da idéia.
ando fazendo algumas mudanças.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
artur sabóia, 456
“não sei se sangue ou porra”, frases agudas no estúdio – tanto quanto a violência popular. mas claro, aqui a poesia foi traduzida, a reação é viva.
hoje fui assistir a produção do novo cd dos porcas borboletas. sem tempo para brincadeira, os meninos estudam metodicamente cada tempo de um verso seja musical, seja do gesto (como sempre, a música parece ser um desdobramento do corpo).
danislau também, enzo banzo, ricardim, moita mattos e alfredo bello (o produtor) criam a fisicalidade daquilo que se apresenta como um jogo de afetos. e, nesse vaivém, criam uma paisagem de personagens ora sóbrios, ora caretas, ora fictícios que são desmentiras de um dia-a-dia. nada como um passeio fora do seu quintal para descobrir que a realidade pode ser também um conto-de-fadas – tão simples, não?
claro, que sim. os vizinhos convidados são leandra leal, arrigo barnabé, simone sou, o próprio alfredo (que retira pianos elétricos, órgãos da década 60, 70 e uma parafernália de instrumentos de seu riquíssimo estúdio-casa – pronto para abrigar boa música), entre outros que ainda estão para chegar. sim, o território, a festa de bairro, tem que ser feita com precisão e pensamento.
vi vicious e rafa rays já deixaram sua contribuição. é possível escutar o que eles produziram pelos alto-falantes da casa e, como são músicos particulares, o que se ouve não é da ordem do esporte, arte não tem tempo pra isso.
entre a extensão da felicidade, pressuposto de deleuze para os bons encontros, vê-se muita festa, muito brilho, pouco moralismo ou assepsia cultural e uma grande escala de acordo entre os meninos. disseram que estavam em crise – claro, a chance de se criar algo em coletivo, que seja político só pode sair de um conflito: a migração de um estado para o outro começa no osso.
aguardemos então o fechamento desse trabalho que deve sair nesse início de 2009.
star putz em cena
antes de ir ao estúdio, tive uma reunião com danislau também, que prepara seu novo espetáculo para estrear em março deste ano. fizemos uma reunião em vila madalena, bairro boêmio da cidade de são paulo, em que me abrigo na casa da dramaturga nicole aun, ao lado da casa de minha produtora gabriela gonçalves.
falamos sobre esse projeto de estar junto, que teve um bom começo em “placebo 2008” – diga-se “um bom começo” para o público, por que nosso papo é antigo. e mais uma parceria surge em breve, o site ‘star putz’ vai para a cena: o blogue-homem deixa de ser herói e vira anti-estrela.
teremos, então, danislau também “coming soon” no palco (coming soon = em breve, ou na gíria, “gozando em breve” – porque sua relação com a punheta é coisa reconhecida em seus poemas – muitas meninas já foram vitimadas).
até já.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
copyright
From: no_reply@youtube.com To: wagnerschwartz@hotmail.com Date: Sun, 4 Jan 2009 18:53:43 -0800 A copyright owner has claimed content in one of your videos Dear wcurupira, Video Disabled A copyright owner has claimed it owns some or all of the audio content in your video cleopatra. The audio content identified in your video is The First Time Ever I Saw Your Face by Roberta Flack. We regret to inform you that your video has been blocked from playback due to a music rights issue. Replace Your Audio with AudioSwap Don't worry, we have plenty of music available for your use. Please visit our AudioSwap library to learn how you can easily replace the audio in your video with any track from our growing library of fully licensed songs. Other Options If you think there's been a mistake, or you have other questions, please visit the Copyright Notice page in your account. Sincerely, The YouTube Content Identification Team to youtube team, i'm very sad to read this e-mail, because i see that creativity is still being crashed by the ideological ideas of copyright. this is the 21st century and not the 20th when all romanticism and old technology were used to protect the development of artistic visions. the video you saw has the music of roberta flack, indeed, but it's used in an artistically way, not like thousand of other helpless videos in youtube, made for the use of consumism. and it's not the first time artistic ideas has being taken out from there. one of my old videos was also blocked because of the use of a nudity on it. (la bete). ___ i'm not doing xrated videos, but if you give yourself time to look at my website you'd see (through further information, and not superficial one), that i'm dealing with global violence and creating forms of translating it. it's such pity a tool like youtube is being transformed in a television-for-"american-families", embed by moral duties. i'm so sorry. this is my small contribution. not for myself, but for those that youtube is disabling the confront with post-modern thoughts. wagner schwartz www.wagnerschwartz.com ps. and my english is shitty, because it's a foreigner one.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Slavoj Žižek
"devemos abandonar a velha idéia humanista de que, haja o que houver, uma certa forma de dignidade humana será mantida ou reafirmada. Isso é pura tapeação."
maybe we just need a different chicken
domingo, 11 de janeiro de 2009
as testemunhas ordinárias
começamos “des témoins ordinaires” (as testemunhas ordinárias), novo trabalho que estou desenvolvendo em colaboração com rachid ouramdane. começamos em um local em que existem muitas dessas testemunhas, o rio de janeiro. a paisagem, longe de ter uma certa sobriedade, traz no relevo e em seus objetos uma beleza mórbida, quase imorável.
é assim. é a partir daí que o discurso desse novo espetáculo começa, não pela paisagem, mas pelos objetos, nesse caso, o discurso, em outro caso, o sujeito-que-o-formou-deformou-sobreviveu. a idéia é pesquisar esse corpo que foi fragilizado por uma ditadura e que, em um desenvolvimento que atravessa a política coloquial, resistiu e continua vivo.
em cena serão 5 artistas da dança que possuem flexibilidade questionável – essa é a aproximação simbólica com os temas. o único brasileiro em cena sou eu. os outros, da lituânia, coréia do sul, espanha e dinamarca. todos têm uma relação crítica com a história em seu país.
as entrevistas estarão presentes em vídeo. rachid cuida para que elas sejam feitas com participantes e legentes daquela ditadura. no rio de janeiro, lúcia murat, diretora de “quase dois irmãos”, foi uma das entrevistadas por ter sido presa e torturada nos porões da ditadura militar.
longe de ser um remarque histórico, o espetáculo em si não terá como foco a ditadura, mas o que ainda acontece neste tempo contemporâneo (ainda insisto, clássico), em que coisas aparentemente modificam ou se tornam representadas por um cinismo artificial, disfarçado de produção intelectual (a rima é mesmo, pobre).
muito a se falar neste 2009, que chega com uma potência em que o corpo precisa vibrar, precisa de autonomia, de espaço, de sua solidão.
até já.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
please, put some music, because silence is unberable.
«Nous sommes des corps séparés, rejetés. Et ainsi conduits à la mort, mais aussi à la vie : la séparation des corps peut être une seconde naissance, sinon c'est le renvoi à l'incompréhension, à la résignation et au silence. Tant qu'il le peut, l'écrivain doit mettre le scalpel sur ces déchirures qui sont les siennes également. Chaque opération nécessite le recours aux instruments d'un langage approprié et chaque fois différent, il y a mille et une histoires, même si c'est toujours la même, de toute antiquité. À la ségrégation sociale, familiale, s'ajoute le clivage des règnes et le monde nous est étranger. Et pourtant la rencontre avec un sapajou, un basset, un poussin, un cancrelat peut nous donner la clé de tous les mystères. Dieu existe dans un acacia. L'œuf est la pierre philosophale – à condition de ne pas le casser. Tel est le propos de Clarice Lispector, à la fois vécu et distancié, dans ce recueil publié en 1964, au Brésil, sous le titre Légion étrangère.» (Jacques Thiériot)
+ + +
um cenário estranho pode se tornar conhecido por conta de uma violência adaptada. essa não é representada pelo outro-social, mas pelo eufemismo da pós-modernidade.
para j.o., um fiel atuante.
querido tuca,
me chamo g.h.
acabo de assistir ao seu espetáculo. entendo quando vc diz que foi a uma buate, conversou por 40 minutos com um homem e ele o deixou em 5 segundos por uma figura mais segura. tudo isso é da ordem gaykind. é da ordem do desencanto e também da idéia de que um sabiá (apesar de somente pousar em galhos), ainda irá cantar em uma palmeira.
“go: stop”_ são palavras mais usadas por aqui. estou em são paulo e, mais uma vez, tive que beber como você, para visualizar a terra prometida. a gente idealiza um gesto et voila, c’est tout la même chose, la même merde classique, presque contemporaine.
entendo que quando vc entra em um palco e se propõe a pensar sobre sua história e atinge, de alguma forma, a história dos outros – é a denotação da pesquisa emocional em massa que se move. seu cu, meu querido, é como o meu. entre duas caras abundantes de carne que a história reage dizendo não servir pra quase nada.
quando penso no tamanho de seu trabalho, em sua extensão (sim, é longo, literalmente), talvez porque as perguntas são longas, ou talvez pq esse gênero mal criado decidiu em sua permissividade criar um enredo fictício que não cansa de brotar nas árvores globais, só consigo dizer:
please, tuca, put some music. music to listen, then i can forget this movement. the global childreen hate us. they need to fuck.
provavelmente esta será uma pista extremamente pessoal ao seu trabalho. uma observação que não deveria ser postada. mas o que eu postaria, então? minha raiva tem a extensão de seu projeto. e fico pensando se é ela quem nos promove...
tenho medo. mais medo agora, de ver que não estou sozinho e que o tempo não muda, está engessado -- a contemporaneidade não existe. somos todos clássicos. temos mais 400 anos pela frente.
voltei pra o hotel, com uma garrafa de água pensando na felicidade da escolha de permanecer comigo mesmo ao invés de ficar famoso. voltei para uma cama (q é tão resistente quanto he, she or it). ela será alugada por 5 dias.
tentei dançar, tuca querido, e só consegui dormir, acordar no meio da noite e vomitar.
mas vou continuar até a festa acabar.
um abraço no meio do espetáculo,
g.h.
anexo:
a cada novo “mau encontro” em que o corpo vibrátil é ignorado, repetindo-se a experiência de seu acolhimento impossível,convoca-se a memória de suas feridas: fantasmas tomam conta da cena e passam a comandar a produção de imagens. o lugar do corpo vibrátil onde incidem as forças que o ferem fica marcado por esta experiência, a tal ponto que isso pode esculpir o desenho da própria musculatura de um corpo e até de sua estrutura óssea. Hubert Godard,comenta ter verificado em seu trabalho o quanto a torção das costas em pessoas que sofrem de escoliose, por exemplo, freqüentemente acontece antes em seu modo de perceber o espaço: é como se o corpo não pudesse projetar-se para um dos lados do mesmo. É isto que acaba provocando uma torção da própria coluna vertebral e de toda a musculatura dorsal que a envolve. (suely rolnik em "uma terapeutica para tempos desprovidos de poesia").
sábado, 13 de dezembro de 2008
makeba
aos 76 anos de idade, miriam makeba morreu. eu iria postar um texto aqui, no dia 10 de novembro deste ano, pensando no tamanho do afeto que sinto por ela. mas, melhor que isso, eu recebi um presente da frança, minha amiga audrey bartis me ajudou a narrar mais uma história.
no brasil, ela deixou pérolas negras como "chove, chuva", "maria fulô", "manhã de carnaval". contra o apartheid, anos de luta. Em 1963, depois de um testemunho sobre as condições dos negros na áfrica do sul, perante o comitê das nações unidas contra o apartheid, os seus discos foram banidos do país pelo governo racista; o seu direito de regresso ao país e a sua nacionalidade sul-africana foram cassados, tornando-se apátrida.
a pátria do apátrida é o o outro.
eu daqui, longe de miriam, fui atingido com sua música que não se revela somente pela voz, mas pelos estados alterados de seu corpo. e, neste vídeo, mais um presente, sivuca é quem a acompanha.
Tacioli - Sivuca, como apareceu a oportunidade de trabalhar com a Miriam Makeba?
Sivuca - Miriam Makeba foi em 1965, no final do ano. Ela precisava de um violonista, um contrabaixista e um percussionista. Aí eu fui lá fazer um teste de violão na mão. Quando me mostravam como era o ritmo que ela cantava, era a mesma coisa que um ritmo nordestino, que nós chamamos de balaio. Fui tocar o balaio pra ela cantando. Ela olhou pra mim... A filha dela falava francês e eu não falava nada de inglês. Nessa altura eu já falava francês. “Sivuca, minha mãe quer saber onde é que o senhor aprendeu o ritmo sul-africano tão bem?” Eu disse: “Diga a ela que foi por assimilação. Estou fazendo um ritmo nordestino chamado balaio que é igual ao que ela chama de upacanga, da África do Sul”. Aí fui logo contratado por ela.
Almeida - Mas quem te recomendou?
Sivuca - Foi um contrabaixista americano chamado Don Payne, que disse ao marido da Miriam: “Ó, vou recomendar uma pessoa, que pra mim é a pessoa certa para trabalhar com a Miriam”. Aí ele me recomendou e eu fui lá. Mas aí essa audição que começou às três da tarde, terminou às duas da manhã com todo mundo de fogo. Miriam era muito amiga de Jorge Ben, Jorge Benjor, e começou a cantar “Mas que nada” e eu comecei a acompanhá-la. Ela vibrou! Aí fiquei quatro anos e meio trabalhando com a Miriam.
Tacioli - E como foi esse tempo trabalhando com ela?
Sivuca - Maravilhoso. Além de ter sido bom porque me tirou da crise em Nova York, foi bom como relacionamento. Ela é um ser humano maravilhoso e o grupo virou uma grande família. Eu me lembro que nós estávamos na Suécia trabalhando, fazendo um show, quando o Harry Belafonte [ n.e. Cantor, compositor e ator norte-americano famoso por gravar músicas em ritmos caribenhos ] foi nos assistir. Aí o Harry olhou pra mim e disse: “Miriam, eu vou roubar esse seu guitarrista pra mim”. Aí a Miriam disse: “Não, faça isso, não”. “Você vai ver.” No outro ano ele convidou a Miriam para participar de um show dele. Aí, em 1969, a Miriam foi para a Cuba e me convidou, mas aí eu não podia ir para Cuba, porque em 69, se eu fosse pra Cuba, eu não poderia entrar de volta nos Estados Unidos. E se voltasse ao Brasil, seria preso. “Não, espera aí, ideologia é uma coisa, prática é outra. Eu estou morando nos Estados Unidos, já tenho um certo prestígio aqui como profissional”. Já era conhecido como arranjador e tudo, já tinha participado de alguns bons discos. Aí eu disse: “Miriam, infelizmente eu não posso ir pra Cuba.” “Não tem nada, não, brother, eu entendo perfeitamente, mas eu vou porque não posso mais ficar aqui.” Ela havia se casado com Stokely Carmichael, do Poder Negro, e no dia em que ela anunciou o noivado, o Sindicato das Estações de Rádio e Televisão deu uma declaração proibindo a apresentação ou o tocar discos de Miriam Makeba. Foi proibido em todo o Estados Unidos. Quer dizer, foi a pior censura que um artista poderia receber num país civilizado, que era a proibição de seu produto. Como ela não tinha mais o que fazer nos Estados Unidos, foi para Cuba, para África, e eu fiquei nos Estados Unidos trabalhando com o Belafonte.
Tacioli - Sempre como guitarrista?
Sivuca – Guitarrista. O acordeão sempre au passant. Mas quando eu tocava, eu me lembro que fiz um documentário pra NBC... O dia em que esse documentário foi ao ar, Miles Davis assistiu e mandou um telegrama pra mim, com os seguintes termos: “Mister Sivuca” - vou traduzir logo - “finalmente encontrei alguém que me fizesse fazer as pazes com esse maldito instrumento que se chama acordeão”. Assinado Miles Davis.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
cinema
talvez
eu devesse começar esse texto falando da grande experiência que tive ao assistir o filme de carlos nader, “pan-cinema permanente”, sobre a vida de waly salomão. (desculpe danislau) a tentativa foi boa. o encontro, não. a simpatia que sinto pela música que waly escreveu e que, entre outros, gal cantou; walter salles terminou seu filme “terra estrangeira” e, ainda, paralelamente terminou com minha chance de sair do cinema em preto-e-branco, não causou efeitos tão naturais.

o filme me cansou por sua narrativa. waly me cansaria se fôssemos amigos. a atitude teatralizada do filme e consecutivamente do que foi mostrado da vida de wally, me territoralizaram em uma camada da arte que busca no extremo da catarse, uma salvação. eu perdi há algum tempo a conexão com essa idéia de paraíso. não são as proparoxítonas ou os acentos vocais que cortam a relação do eu com o-que-vejo que me emocionam. cruel contradição, por que “estar tão cansado” é minha ligação com mr. moon.
para tanto, waly, prefiro você ainda no segredo, dentro do meu sossego, fora da pessoalidade ou da tela de qualquer cinema. te conhecer seria destruir a presença de sua poesia. descanse em paz.
mas hoje, ao atravessar a paulista e entrar em uma das salas do cine espaço unibanco às 18h de um dia chuvoso para assistir “rebobine, por favor” (“be kind, rewind” eua/2008, 102min), obra produzida por michel gondry pude chegar ao choro quando, de surpresa, fui atravessado por um roteiro que leva à tela uma chance de lançar o cinema, a história, a memória e a percepção para o infinito.

o filme trata dos problemas de uma civilização (fictícia ou não: isso quem decide é você) cuja história não pode mais caber em prateleiras ou em mídias. o tema desdobra, em um exercício irônico extremamente afiado, as questões cafonas de direitos autorais, artista-público, disfarces, pirataria e dissimulação de enredo.
a obra cria um momento pregnante neste final de 2008_ um momento de colapso nas relações, em qualquer instância.
segundo nietzsche, em seu livro “sobre verdade e mentira”, “há épocas em que o homem racional e o homem intuitivo colocam-se lado a lado, um com medo da intuição, outro ridicularizando a abstração; o último é tão irracional quanto o primeiro é inartístico. ambos contam imperar sobre a vida”. gondry apresenta em seu filme, nenhum desses dois exemplos, mas o homem em crise: é esse quem é apto de mudar, transitar e corresponder-se criativamente com sua época. esse homem emociona, porque transcria sua funcionalidade: ou o homem constrói sua subjetividade, ou ela o atinge de forma a renunciá-lo. mas, subjetividade não é ente, no entanto, um órgão de sentido que precisa ser estimulado.
mesmo que seja um tema tratado há séculos, neste filme é possível ver de maneira distinta que a força mediadora entre homem e sociedade-politicamente-ossificada é o pensamento artístico, sem as baforadas de uma teatralidade mórbida, mas na execução de estímulos que potencializam a existência desse corpo.
“no âmbito do intelecto, tudo o que é qualitativo não passa de um quantitativo. para viver precisamos da arte a todo instante. nosso olho nos prende às formas. vemos pois, na natureza mesma, mecanismos contra o saber absoluto. a arte baseia-se na inexatidão do olhar. e também na inexatidão do ouvido para o ritmo, o temperamento, etc; nisso se fia, uma vez mais a arte.” (nietzsche).
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
são paulo _ um

a semana começou com uma visita ao itaú cultural depois do convite sem formalidades de sonia sobral para assistir ao encontro entre eduardo coutinho, joão moreira salles e otavio frias filho. quem fazia a mediação do encontro “o jornalismo e as longas narrativas” era claudiney ferreira, jornalista e gerente do núcleo diálogos do itaú cultural.
entre parênteses, a exposição cinema sim, no próprio itaú, apresenta trabalhos de 18 artistas nacionais e estrangeiros, que fazem referência ao universo da linguagem cinematográfica. exposição precisa, em que o conceito cinema é abordado em suas margens, com destaque para peter fischer, rubén ramos balsa e julian rosefeldt (que teve o trabalho “stunned man” exibido na 26a bienal de artes de são paulo, em 2004).
no encontro, as questões do jornalismo generalizado (popular), jornalismo subjetivo (introspectivo), jornalismo literário, jornalismo verídico foram objetos de análise abordados pelos convidados. os temas não foram visitados de forma conceitual, mas objetiva para um público que encheu a casa.
na entrevista, algumas perguntas trouxeram como respostas surpresas inquietantes para um expectador que esperava ouvir na fala dos convidados a soma de relações subjetivas que suas obras adentram.
segundo joão moreira salles, fazer um filme sobre pessoas que já existem demanda um poder sobre elas e, aonde há poder há responsabilidade, sendo que a finalização do filme tem ligação na horizontal com a falta de orçamento. em um outro momento ele apresenta seu exercício para a seleção do espaço-movimento, quando menciona que um filme não está todo representado do lado de fora, mas deve ter certa intimidade com o diretor. quando o filme cria relações com o sujeito (consigo), o diretor se torna documentarista. o roteiro é pensado não mais pelo que se trata, mas pelo que me trata.
eduardo coutinho realça a poética do convívio quando menciona que não precisa procurar no google a história dos seus personagens. ele vai até aonde as pessoas assumem certas diferenças pessoais deste narrador. segundo ele, documentário é a melhor forma de se esconder, “tom zé não sabia tocar nem cantar, então inventou sua própria música. foi assim que eu criei o meu cinema”. coutinho assume que todo filme tem que ser narrado, desenvolvendo uma hipótese de que a idéia que o filme se narra é uma mentira: “não há saída, a narração existe”, e ele a procura em pequenos mundos, em pequenas histórias.
de otavio frias filho restou a dúvida. segundo ele, em seu livro “queda livre” nenhum de seus textos foi revisado ou apreciado por outros especialistas antes da edição. resta a curiosidade ou a pergunta, para quem se escreve um livro com tanta noção de confiança sobre suas referências intelectuais?
sábado, 29 de novembro de 2008
suely rolnik
“minha migração é meu corpo quem decide”. assim começou o encontro com suely ronik na casa das rosas em são paulo, no último dia 25. rolnik foi convidada pelo projeto desaba de cristian duarte e thelma bonavita, a criar um espaço em que pudéssemos descobrir mais relações que o corpo compõe historicamente com suas linhas subjetivas. na realidade, descobrir-se.
desaba é um projeto que vem levantando questões sobre a publicação desse corpo contemporâneo em um ambiente que custa muito caro reagir e desdobrar-se afetivamente. um corpo vibrátil, atento é o que propõe suely em fala construída em sua juventude no brasil e seguida por 10 anos na frança, no exílio da contracultura. rolnik passou esses anos criando impressões sobre o corpo em encontros com gilles deleuze, félix gattarri e lygia clark.
segue abaixo uma paisagem que foi construída na fala de rolnik neste dia. entre um momento e outro ela desaba frases que construíram seu corpo vibrátil, problematizando o interior da própria poética. como minha proposta é a mixagem, as conjunções e os períodos foram criados em uma atitude performativa, por que segundo haroldo de campos, tradução é transcriação.
quando o corpo é forçado a dar conta de alguma coisa, estabelece-se o momento da criação – mutação sensível dado à presença do outro no seu corpo. algo na experiência vai ganhar vida. quanto mais expressiva a incorporação, maior chance de contaminação.
criamos histórias para nos proteger das turbulências. o pensamento serve para produzir ou se proteger. segundo lygia clark, “quando você estiver no vazio não lute contra o vazio”. não seria necessário lutar contra alguma coisa, porque patológico seria acreditar que um dia tudo se equaliza.
alguns são adictos da idéia de paraíso para se proteger das turbulências – uma herança judaico-cristã que nos obriga a não sermos vulneráveis. o neoliberalismo apresenta ao mundo imagens de um paraíso passivo em que a idéia principal é absorvê-lo. a vida pensante é massacrada.
a idéia é sustentar-se no vazio e poder criar.
ativar a percepção através da descrição, da observação crítica. não basta ter consciência, precisa-se chegar à memória do corpo. a língua está carregada de camadas em nosso corpo. a memória corporal da língua brasileira na década de 70 tinha uma camada de trauma insuportável, foi o que levou lygia clark a dizer “quando o artista digerir o objeto, a sociedade irá digerir o artista. ele será o engenheiro dos afazeres futuros”. as micro-políticas da contracultura insidiam no íntimo da criação – não havia gesto, mas humilhação.
como o efeito de um rebaixamento vai muito além do que o tempo de duração de um regime, para proteger-se de algo, o corpo encapsula o trauma. a passagem de um estado para outro é político. esses são os estrangulamentos da vida. o dispositivo poético-político é pensado por um grupo pequeno. a incitação da força de criação toma tempo.
a música “passarinho”, de tuzé de abreu, foi o timbre que furou essa minha cápsula do exílio. timbre como dimensão vibrátil de nossos órgãos de sentido. o timbre tinha tal doçura que furou o gesso. não li para entender, eu fui pra leitura porque a vivi tudo na pele.
não existe realidade paralela. haja aonde puder.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
para bruno freire
depois de ter estado na banca de monografia de ana reis (UFU uberlândia/mg), fui convidado a banca de bruno freire juntamente com a coreógrafa vera sala (PUC são paulo/sp). bruno foi orientando da professora helena katz e, helena tem esse dom de criar bons encontros.
todos presentes em um estado emocional acelerado, em um momento de experiência única. nada era pouco sério. foi possível sentir naquela sala branca uma chance de se criar signos, visto que os atuais já estão terminando seus modos de representação subjetiva. mas, na realidade, segundo beuys, foi criado um momento de tentar "entender a linguagem do mundo".
eu não tinha muita coisa a dizer para o bruno, apenas manifestar minha alegria ao entrar em confronto com seu trabalho (como foi também com aninha). para ana, lembrei-me de katherine mansfield, para bruno escrevi uma carta.
25 de Novembro de 2008
□ Fábula
Entrando no Aeroporto Heathrow, os passageiros da British Airways que vieram de Guarulhos/SP para Londres ou demais localidades na Europa, foram saudados com um tapete vermelho de quatro policiais e um cachorro muito querido, viciado em cheirar malas.
Por um desses acidentes naturais, o policial se aproximou de G.G. olhando para sua bagagem de mão, com fitinha amarela do Bonfim. Claro, ele pensou em autógrafo, mas o policial pediu seus documentos. O clima era tenso. ― melhor se você fala inglês, mesmo que seja com sotaque brasileiro. As respostas têm que ser rápidas, afinal, a fila tem que andar.
O policial olha fixamente para G.G. e pergunta:
– O que você faz aqui?
G.G. responde:
– Nada ainda. Estou no aeroporto.
O policial contesta.
– O que você vai fazer aqui?
G.G. responde:
– Nada.
– Como assim, “nada”? Insiste.
– Nada. Eu estou aqui de passagem.
– Uhmmm. Para onde?
– Alemanha.
– O que você vai fazer lá? (G.G. achou a pergunta um pouco indiscreta, mas visto que o policial ainda não o conhecia profissionalmente, respondeu com clareza):
– Vou trabalhar.
Nesse momento o policial olha para o passaporte de G.G., para o cachorro, para os outros policiais. (G.G. fica mais tenso).
– Trabalhar com o quê? (Ele estressa o “o quê”) (Como um artista em tempos globais, G.G. pensou em um monte de respostas, mas tinha que ser breve), respondeu:
– Com dança. Sou artista da dança.
– Uhmmm, lovely! Respondeu.
E com um sorriso familiar continuou:
– Claro, seja bem-vindo.
□ A linha:
Sua monografia é um caderno de anotações amarelo, de cor-pigmento primária, com datas, como as reflexões feitas em o “Primeiro Caderno do Alumno de Poesias Oswald de Andrade” (esse ainda com cores nacionalistas). Ele chega como um grupo de anotações, como um blogue, em que o dia-a-dia passa a ser analisado. O objeto falseia as regras (BNT, whatever), quando nos lembra que somos leitores estrangeiros de línguas e símbolos que podem passar pelo bloco do desconhecimento. Você nos obriga a pensar (nos, no plural, significa os leitores únicos — os absolutamente sós, segundo Maria Gabriela Llansol).
Também me sinto convidado a partilhar a sua extensão de mundo quando você me sugere uma conversa íntima ao deixar o número de um telefone celular na página 37. Propostamente seu, ou de algum lugar que poderia criar maiores referências sobre as questões que você adentra em seu próprio guia, ele cria a forma de um help desk, para deixar o imigrante melhor recepcionado.
Querido Bruno, você levantou um estudo de sua situação de estrangeiro. Criou o seu espaço habitado. Uma permissão viva, em prosa.
□ A imagem
Nas páginas 62 e 63 de seu caderno você apresenta fotogramas, sem movimento, para desdobrar uma análise precisa de seu mundo subjetivo. Sua situação de mergulho em uma fundura poética inscreve no espaço a análise de seu próprio umwelt. À vista, temos os ambientes de luz e sombra distintos em modos de paisagens. Tudo ali são forma e tensão. Os fotogramas se tornam fotodramas (segundo Bressane) quando vistos através de uma folha vegetal que imprimem o desejo, o léxicodrama desse sujeito.
Um mergulho na cor primária azul, também aquela que se sobrepõe às nuvens de Baudelaire, propõe a este estrangeiro a tradução de seu entorno, como um ambiente que só pode ser revisitado em sua imensidão quando o sujeito, ou a história de um adentra o tanque de água. O Eu desaparece, nasce a intersubjetividade. A visão retiniana não consegue mais captar o corpo, explode o trans-espaço.
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